Você precisa ver: The Handmaid’s Tale

Meses se passaram desde que eu vi o último episódio da primeira temporada de The Handmaid’s Tale. Confesso que – ainda – não me sinto apta para escrever sobre essa série que fala de assuntos tão importantes e atuais e que choca o telespectador de uma maneira absurda. Você que é mulher vai se sentir especialmente tocada e aflita – e não apenas pelo enredo da série, mas pelo quanto ela soa real e possível.

Na série, os Estados Unidos da América não existem mais. O país agora é conhecido como República de Gilead e é governado por um grupo cristão fundamentalista. A religião rege o Estado e as mulheres perderam todos os seus direitos. Agora, elas são propriedade do Estado. Não podem mais trabalhar, estudar ou possuir bens em seus nomes.

Em meio a esse cenário, somos apresentados à personagem Offred, que perdeu até mesmo o seu nome. “Offred” é “of Fred”, ou seja, “do Fred”. Offred é um das poucas mulheres ainda férteis e faz parte da casta das aias, elementos importantes da nova república instituída. Importantes porque são responsáveis pela perpetuação da espécie, por trazer novas crianças ao mundo.

Para isso, as aias são enviadas às casas de comandantes da nova república, para que possam ser fecundadas por eles, gerando um filho para o comandante e sua esposa estéril. Assim que gerar a criança e amamentá-la pelo tempo essencialmente necessário para a sobrevivência da criança, a aia é enviada para a casa de outro comandante, para continuar cumprindo seu papel de valor: gerar novos herdeiros. As aias também são obrigadas a se vestir o tempo todo de vermelho, com uma espécie de chapéu que as impede de olhar para os lados, unicamente para frente.

Mas antes de ser “Offred”, ela tinha um nome, um trabalho e uma família. Tinha um marido carinhoso e uma filhinha linda, que foi brutalmente arrancada de seus braços. Pois é, ela era apenas uma mulher comum como eu e você, e é isso que mais assusta na série. O quanto ela é brutalmente possível e real.

É claro que as aias são destaque na série, mas não podemos desconsiderar as outras mulheres: as Esposas (mulheres dos comandantes), as Tias (responsáveis pelo treinamento das Aias) e as Marthas (mulheres inférteis responsáveis por cuidar da casa, limpar e cozinhar). Todas elas são oprimidas de alguma maneira.

The Handmaid’s Tale é baseada no livro homônimo escrito por Margaret Atwood em 1985. No Brasil, o livro foi publicado como “O conto da Aia”. Se você pesquisar, vai descobrir que muito do que é retratado no livro e na série já aconteceu em algum momento da história. Não é fácil ou simples ver a série, mas ela torna ainda mais palpável a necessidade de falarmos sobre assuntos como feminismo, igualdade de direitos e respeito. Respeito pelo outro, seja ele homem ou mulher, seja ele branco, preto ou pardo, seja cristão ou judeu, independente de sua classe social ou opção sexual.

O mais aterrorizador para mim foi como a história mostra todo o processo de instauração da república, como as coisas foram mudando pouco a pouco e como todos só perceberam a realidade brutal quando já era tarde demais. Primeiro, as mulheres perderam seus empregos. Em seguida, todos os seus bens foram transferidos por lei ao seu parente homem mais próximo, fosse ele seu pai ou marido. E, então, em algum momento, elas eram reféns de um regime em que eram consideradas para pouco mais do que servir aos homens e ter filhos.

Triste, brutal e aterrorizante – The Handmaid’s Tale é uma série que você não pode deixar de assistir.


E você, já viu a série? Me conta o que achou! 

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Sobre o Autor

Inara Souza
Inara Souza

24 anos, interior de São Paulo. É formada em Engenharia Civil e pós-graduada em Arquitetura de Interiores. Criou o Casinha Arrumada para falar das coisas que mais ama e compartilhar histórias. É apaixonada por decoração, livros, músicas e séries de TV. Siga nas redes sociais: Instagram - Facebook - YouTube - Pinterest

21 Comentários

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  1. Eu ainda não assisti esta série, só pela descrição parece ser bem intensa. É forte e triste saber que em alguma parte já aconteceu…bjs

  2. Mto triste… principalmente pela sensação quee vc passou de poder ocorrer e coisas que ja ocorreram… nao sei se encararia assistir..😣

  3. Nossa que forte!
    Esses temas mostram o quanto é importante mesmo discutir sobre isso e outras situações, tanto da orientação sexual quanto do feminismo e direitos iguais.
    Eu como homem, faço de tudo para as mulheres ao meu redor e tenho certeza que todos os homens conseguem, bastando raciocinar sobre o que lhe foi dito desde sempre (cultura do machismo) e sendo empático.
    Acredito que não é preciso ser mulher para lutar contra o machismo; não é preciso ser negro para lutar contra o racismo, basta ser humano, empático e acima de tudo, respeitar as pessoas como elas são.

    Já assistiu o discurso da Emma Watson (Hermione do Harry Potter) na ONU? Ela tem um projeto “He for She” e eu abracei essa causa gratuitamente por motivos de: respeito ao ser humano e SER humano.

    Adorei a dica do seriado! com certeza irei assistir.

    Boa semana!
    =)

    • Sim, é exatamente isso! As pessoas precisam aprenderem a enxergar o outro como ser humano que merece respeito em primeiro lugar! 💜

      Sim, o discurso dela é lindo! 💜

  4. Parece ser forte e intensa essa série, e é muito triste e aterrorizante pensar que de alguma forma isso já aconteceu ou pode acontecer. Acho que não tenho coragem de assistir. Mas obrigada pela dica. Bjs

  5. Vou assistir essa nova indicação… Me parece ser uma série maravilhosa! Já assisti a todas as outras q vc indicou aqui no blog… Indicações maravilhosas… Obrigada