Filme: Minha Querida Anne Frank
Holocausto, II Guerra Mundial

“_Senhor Frank? Senhor Frank?! Por favor, senhor Frank. O senhor nos contou a história de Anne, mas não nos explicou como tantas pessoas podem ser tão más…”

Duas menininhas esperam na entrada do parque de diversões enquanto o pai de uma delas vai comprar os ingressos. Elas observam os brinquedos, principalmente o carrossel, os olhos brilhando de expectativa. Pouco tempo depois o pai retorna e os seguranças do parque os empurram para fora. Eles não são mais bem vindos ali.

Alguns anos depois, um homem conta uma história às crianças numa escola. Assim que termina, dispensa a todos, mas uma menininha se levanta e o questiona abertamente:“_Senhor Frank? Senhor Frank?! Por favor, senhor Frank. O senhor nos contou a história de Anne, mas não nos explicou como tantas pessoas podem ser tão más…”  Sua pergunta o faz engolir em seco. Ele não conhece a resposta.

Holocausto, II Guerra Mundial

O ano é 1944. Escondida num compartimento secreto no segundo andar de uma casa na Holanda, Anne anota em seu diário tudo sobre o período em que permaneceu trancafiada para se proteger da invasão nazista e da guerra. Pouco depois, a SS descobre o esconderijo e Anne e seu pai são embarcados num trem e levados para o campo de Bergen-Belsen, o campo de trabalho dos judeus.

Assim que chegam, são levados para o banho. Velhos, crianças, homens e mulheres em filas separadas, com destinos diferentes. Anne é obrigada a tirar toda a roupa, ameaçada por uma mulher que empunha um cacetete e grita. Seus cabelos são cortados e todas elas são obrigadas a vestir uma mesma indumentária. Não são mais gente – são animais aprisionados. 

No campo ao lado está Hanneli Goslar, melhor amiga de Anne, o pai dela e sua irmãzinha. Eles estão comemorando o aniversário da irmã menor de Hanneli com um pedaço mísero de pão e meia batata. “Se a mamãe estivesse aqui, ela lhe prepararia um bolo de chocolate…”, conta Hanneli à caçula, mesmo que ela não saiba o que é um bolo de chocolate. Era muito pequena quando foi presa, juntamente com Hanneli e o pai, pelos soldados.

Nascida em Frankfurt, Alemanha, em 1929, Anne mudou-se com a família para a Holanda em 1933, quando Adolf Hitler assumiu a Chancelaria Alemã e iniciou sua perseguição aos judeus. Seu livro de memórias, dos anos que passou escondida numa casa na Holanda, foi publicado após a sua morte e o sonho da garotinha de 13 anos foi concretizado: Anne tornou-se uma escritora, como sempre quis. 

Holocausto, II Guerra Mundial

“Deus nos deu a lei, mas depende de nós segui-la. Isso é liberdade. Sabe o que é liberdade…? É quando você dorme sabendo que não prejudicou ninguém. Porque a liberdade e a bondade são a mesma coisa. E é uma coisa muito difícil de alcançar a cada dia.

Desculpem-me por resenhar esse filme dessa forma. Você provavelmente conhece o fim da história e eu quis apenas tentar mostrar a você porque vale a pena ver esse filme. Mentira. As cenas que eu descrevi ficam aqui, girando na minha mente, e foi tudo o que eu consegui resumir do filme. Essas cenas fixas, da garotinha perguntando ao senhor Frank, pai de Anne, “como tantas pessoas podiam ser tão más”. Da menininha que não fazia ideia do que era um bolo de chocolate, pois cresceu num campo de concentração.  E várias outras, que ficam girando aqui, interruptamente.

Não há como não se emocionar. Já vi vários filmes muito melhores sobre esse período, e, mesmo que a produção não chegue nem perto de mostrar o verdadeiro horror daqueles dias, não há como não se emocionar. Eu chorei muitas vezes. Pense num grupo de crianças, todos eles cantando alegremente em coro para a menina que os espreita por detrás da grade. Atrás das crianças, uma “casa de banho”. Como fumaça saindo lá de cima, em grandes quantidades. Você não choraria?

Já resenhei vários livros sobre esse período e, mesmo assim, tudo sempre parece pior e mais assustador do que antes. Não é algo que se possa explicar, entender, assimilar com facilidade. Nunca será. Mas, como todos os livros que eu li e todos os filmes que eu vi até hoje apregoaram com intensidade: precisamos disso. Precisamos disso para lembrar sempre. Nunca, nunca esquecer. 

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Sobre o Autor

Inara Souza
Inara Souza

24 anos, interior de São Paulo. É formada em Engenharia Civil e pós-graduada em Arquitetura de Interiores. Criou o Casinha Arrumada para falar das coisas que mais ama e compartilhar histórias. É apaixonada por decoração, livros, músicas e séries de TV. Siga nas redes sociais: Instagram - Facebook - YouTube - Pinterest

7 Comentários

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  1. Chorei muito ao assistir o filme, pq fiquei pensando como aquelas pessoas conseguiam dormir depois de fazer tudo aquilo… Eram humanos como eles, sentiam como eles- talvez até mais do que eles. É realmente um filme triste. Adorei a atriz q fez a Anne, ela é linda e fofa 😀
    Amei o blog, e a resenha. Vc está de parabéns. Voltarei mais vezes aqui 😀
    Bjs.

    • Oi, Kaery! O filme é assim mesmo, provoca esse sentimento na gente… Várias passagens dele ficaram gravadas na minha memória até hoje. É um ótimo filme!

      Ain… Obrigada! Fico MUITO, MUITO feliz que tenha gostado do meu cantinho! Seja sempre bem-vinda! =)