como organizar os estudos para o vestibular 1

 

Sempre me pedem para falar sobre esse assunto por aqui. Não foi por falta de vontade que não o fiz até agora. Eu apenas transitava pela experiência, tentando absorver o máximo possível para começar a entender, de fato, esse mundo permeado por “gente grande”. Preciso confessar que ainda não consegui. Mas vivi algumas situações interessantes que me fizeram enxergar algumas verdades novas. Verdades desconhecidas para mim até então.

 

Minha mãe sempre me incentivou a estudar. Sou nerd, sim, desde pequena. Estudei em escola pública boa parte da minha vida, e, naquelas salas apinhadas de crianças falando e correndo ao mesmo tempo, era (e ainda é) difícil para o professor dar atenção para todo mundo. Assim, quando criança, quem me alfabetizava era a minha mãe, em casa, depois das aulas. Eu me lembro dela do meu lado, corrigindo lições e me ensinando o que faltava saber. Foi assim até que eu adquirisse maturidade o suficiente para fazer isso por mim mesma.

 

Quando cresci, no finalzinho do ensino fundamental, conquistei uma bolsa em uma escola particular. Estagiava vinte horas por semana para manter a bolsa – e foi assim até terminar o ensino médio. Naquela época, não tinha tempo para estudar tanto quanto eu achava que devia para conseguir entrar em uma boa faculdade (mesmo que ainda nem soubesse bem o que queria fazer). Realmente, foi só no comecinho do terceiro ano que eu realmente decidi. Escolhi Engenharia Civil porque gostava de números, porque, diziam, era uma profissão em ascensão e porque, de fato, eu não sabia muito bem o que queria aos 16 anos.

 

É verdade. O meu problema sempre foi gostar de tudo. Eu gostava de ler e escrever, mesmo nessa época, e todos diziam que eu deveria escolher algo ligado à área de humanas. Mas nenhuma das profissões realmente me chamava atenção. Ainda assim, cogitei hipóteses que não vingaram. Não me imaginava dando aulas, defendendo uma causa num tribunal ou escrevendo matérias para jornais ou revistas. Pensei em Relações Públicas, mas, naquela época, não tinha certeza do que um RP de fato fazia. Também não tinha facilidade o bastante com outras línguas. Nem sabia desenhar, o que, na época, eu acha indispensável a um Arquiteto. E, principalmente, mesmo que gostasse de ler e escrever, não me via trabalhando nesse mundo. Os livros eram o meu porto seguro, um lugar para o qual voltar, não um meio de vida.

 

Nunca cogitei biológicas. Sempre tiver pavor, verdadeiro pavor, de sangue. Admiro médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e toda essa leva de profissionais que vestem branco e encaram a rotina de um hospital. Mas não era para mim. Nunca seria.

 

A última opção era a área de exatas. As Engenharias, mais precisamente. Química, nem pensar – odiava química com todas as minhas forças. Não tinha certeza a respeito de mecânica, elétrica e civil. Na época, estagiava numa unidade de cursos técnicos, e, por lá, havia acabado de ser criado o curso de Edificações. Havia engenheiros civis dando aulas por lá, falei com eles e decidi. A escolha estava feita. Era isso. Todo o meu futuro decidido, nas minhas mãos, a escolha mais difícil da minha vida havia sido tomada. Fim.

 

Mero engano. Pulando todo o estresse do pré-vestibular, passei. Entrei na faculdade e as coisas começaram a mudar logo no primeiro dia. Coisas que, até então, eu havia considerado como verdades universais foram se transformando aos poucos. Porque, sim, é um universo todo novo, mágico, encantador e, por diversas vezes, assustador. É o mundo adulto, embora você ainda não seja adulto. Numa cidade nova, com gente estranha, você precisa tomar suas próprias decisões e responder pelos seus atos. Cada pequeno problema, cada situação nova, você precisa enfrentar e tomar a melhor decisão. Ou não. Bater a cara faz parte do processo também.

 

Mas é aí também que você aprende a ir mais devagar. “Para sempre” não existe. Eu dei sorte de, afinal, gostar da escolha que fiz, mas vi muitas pessoas abandonando o curso logo na primeira dificuldade. Mais da metade dos alunos que entraram comigo abandonaram o curso, para vocês terem uma ideia. E, embora isso nunca tenha passado pela minha cabeça, balancei algumas vezes, com medo dessa escolha, que, diziam, era para a vida toda.

 

Imagino o sofrimento desses adolescentes que precisam encarar o fato de que tomaram a decisão errada, e, principalmente, encarar os próprios pais e dizerem que não estão felizes e vão deixar a faculdade. Antes de vivenciar tudo isso, achava impossível, quase um sacrilégio, como se, fazendo isso, eu estivesse jogando fora parte da minha vida. Mas hoje eu sei: melhor jogar fora um, dois, três anos, que a vida inteira, não é?

 

Você tem o direito de mudar de opinião. E de levar o tempo que precisa para tomar a decisão. No último ano do ensino médio, para mim, entrar na faculdade no ano seguinte era a única alternativa. Perder um ano fazendo um cursinho seria um sacrifício e tanto. Tempo desperdiçado. Que dirá dois, três anos. Mas hoje eu percebo que dois, três anos trabalhando, crescendo e amadurecendo, decidindo com calma o que eu de fato queria também não teria sido o fim do mundo.

 

“Para sempre” não existe, pessoal. Você sempre pode, e tem o direito, de mudar de ideia. A gente vai vivendo e aprendendo, no caminho, a ser feliz. E de uma coisa eu tenho certeza: a gente só é feliz fazendo o que gosta.

Post escrito por:

22 anos, interior de São Paulo. É recém-formada em Engenharia Civil e atualmente cursa pós-graduação em Arquitetura de Interiores. Criou o Casinha Arrumada para falar das coisas que mais ama e compartilhar histórias. É apaixonada por decoração, livros, músicas e séries de TV. Siga nas redes sociais: Instagram - Facebook - YouTube - Pinterest

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4 comentários para “Faculdade: uma escolha para a vida toda. Ou não?”

  1. 21/04/2013 às 16:34

    Eu sou o exemplo de inverso do padrão, saí do ensino médio e não tinha vontade de fazer a faculdade logo em seguida, porque não sabia o que queria, fui fazer um curso técnico em Química, e trabalhando na área decidi que era isso mesmo. ^^
    Como fiquei mais ou menos 4 anos longe de estudos, vim morar em Curitiba e fiz cursinho, ao mesmo tempo que trabalhava, passei de primeira na UFPR e comecei o curso de Química.
    Foi e é uma experiência única, universidade é um mundo semi-perfeito, mas, chegou um momento em 2012 que não via futuro no que eu estava fazendo! Estudando e trabalhando na própria faculdade, parecia que me faltava o mundo real. =S
    Passei dias e dias pensando… escolhendo, imaginando o que eu poderia mudar.
    No fim, escolhi continuar com a faculdade, se eu abandonasse na minha mente seria pior, algo como um fracasso e dos grandes.
    Hoje já estou bem decidida com o que eu escolhi e não abro mão do meu curso.
    É um fato, as dificuldades sempre vão ser maiores, mas que graça teria se não fosse assim né?

    Post it and Scrapbook
    postitandscrapbook.blogspot.com.br

    • 21/04/2013 às 20:54

      Oi, Fran!
      Muito legal: você teve a oportunidade de conhecer um pouquinho da profissão antes de iniciar a faculdade. Acho que é o ideal. Dá para ter uma noção maior do que aquela profissão representa e se ela tem de fato a ver com você…. E parabéns pela escolha! Puxa, eu ODEIO química. Tá aí uma matéria na qual eu nunca fui bem na escola. Bom saber que, apesar de tudo, você se deu bem com a escolha que fez!
      Beijos e obrigada por compartilhar a sua história com a gente! *.*

  2. 27/04/2013 às 21:17

    Adorei a matéria, Inara! Gosto bastante de conversar sobre o assunto, até mesmo porque acabei de entrar na faculdade. Tenho 16 anos e decidi cursar Química, justamente uma matéria que você odeia, hehe, na UFSC. Mas, assim como você, eu gosto de muita coisa, então foi bem difícil me decidir sobre qual curso iniciar. Porém, sempre tive em mente que isso não é algo para a vida toda, que eu posso mudar quando bem entender, e que, afinal, sou muito jovem pra escolher algo tão imutável.
    Parabéns pela postagem, boa sorte no seu curso e adorei ler os comentários das pessoas aqui.
    Beijos,
    alanahomrich.blogspot.com.br

  3. 29/04/2013 às 02:23

    Inara cada dia fico mais fã dos seus textos e assuntos discutidos. Com certeza essa eterna fase de escolhas consegue mexer com todos os nossos sentimento. Lendo seu texto lembrei de todo o processo que passei: teste vocacional para turismo, letras e biblioteconomia etc. Escolhi turismo, me formei, trabalhei na área e hoje com 33 anos ( já sou tia junto de vc e da querida Alana) penso em voltar a estudar e fazer outro curso pq turismo já não me completa mais, enfim como vc falou sempre é tempo para mudar e correr atras do nosso bem estar e satisfação. Desejo sucesso a vc querida, te admiro e respeito muito sua opinião!!!! Bjinhos!!!!