Título Original: Still Missing

Autora: Chevy Stevens

Editora: Arqueiro

ISBN: 978-85-8041-012-9

Páginas: 256

 

“No posto de gasolina da esquina, parei para comprar um café e algumas revistas. (…) Uma delas trazia na capa a foto de uma mulher desaparecida. Olhei aquele rosto sorridente e pensei: era apenas uma jovem que tocava a própria vida, e agora todo mundo acha que sabe tudo sobre ela.” [pág. 10]

 

“Ás vezes, volto ao dia do sequestro… repasso mentalmente minhas ações até os momentos finais do plantão, cena por cena, como um filme de terror que nunca acaba… (…) … e me lembro da capa daquela revista, na lojinha do posto de gasolina. É bizarro pensar que neste exato momento alguma mulher está olhando minha foto, achando que sabe tudo a meu respeito.” [pág. 17]

 

Acometida por uma tragédia familiar que marcou sua vida, Annie O’Sullivan tenta levar uma vida normal. Ela é corretora de imóveis, e, naquela tarde, poucas pessoas interessadas aparecem para visitar o imóvel cuja venda ela pretende fechar. Está quase no final do expediente quando Annie o vê se aproximar.

 

Com um sorriso charmoso e olhos gentis, ele é extremamente educado.  Ele dirige uma vã e parece ser sócio de um clube de golfe local. Certa de que ele pode ser um cliente em potencial, Annie decide-se por reabrir o imóvel e acompanhá-lo numa olhada pelos aposentos.

 

Mas o que era para ser uma grande oportunidade de venda revela-se um pesadelo terrível. Sob a mira de uma arma, Annie é levada até a van, onde recebe uma injeção e cai desacordada sobre um cobertor áspero, na traseira da van.

 

Quando ela acorda, horas depois, encontra-se em um chalé numa montanha. Seqüestrada por um psicopata, Annie ficará presa durante um ano inteiro no chalé, onde viverá um pesadelo que marcará a sua vida para sempre.

 

Construído de maneira extremamente original, Identidade Roubada, livro de estreia da autora Chevy Stevens, lançado no Brasil pela editora Arqueiro, é um relato chocante e visceral que Annie faz à sua terapeuta sobre os 365 dias que passou num chalé nas montanhas, à mercê de um psicopata a quem chamava de Maníaco.

 

Ao longo de 26 sessões de análise, Annie revela-nos sua história, por meio de uma voz forte e intensa. De fato, a personagem-narradora consegue nos envolver em seu drama psicológico, a ponto de fazer-nos sentir uma vontade inquietante e intensa de abraçá-la em alguns momentos, e de chacoalhá-la em outros.

 

“Eu odiava levar em conta a opinião de um maníaco. Mas se alguém nos diz que o céu é verde, embora saibamos que é azul, e a pessoa age como se ele fosse verde, e repete que é verde dia após dias, como se de fato acreditasse nisso, finalmente começamos a nos perguntar se não estamos loucos por pensar que é azul.”  [pág. 71]

 

“Existe por aí um monte de livros dizendo que a gente cria o próprio destino, e que aquilo em que acreditamos irá se realizar. Nós devemos sair por aí só com pensamentos positivos na cabeça, e então tudo será sombra e água fresca. Não… desculpe… não é nada disso. A gente pode estar se sentindo mais feliz do que nunca e mesmo assim pode acontecer uma grande merda.
Mas a merda não apenas acontece. Ela derruba você e esmaga você no chão, porque somos idiotas o bastante para acredita em sombra e água fresca.” [pág. 78]

 

De forma intensa, e, por vezes, amarga, Annie O’Sullivan altera passado e presente, os dias em que passou no cativeiro e sua volta à civilização, onde tem que se readaptar à vida e às pessoas, a si mesma, aprendendo a lidar com o fato de que jamais tornará a ser a mesma mulher que fora antes do sequestro.

 

São relatos repletos de densidade emocional; por vezes desgastantes, a ponto de fazer você fechar o livro e retornar a leitura apenas alguns minutos mais tarde. Annie narra cada pequeno detalhe do pesadelo pelo qual passou, sem omitir nada, e de tal maneira que é capaz de nos envolver como numa teia nos sentimentos perturbadores, tanto o medo quanto a dor que ela sentiu segundo por doloroso segundo ao lado do Maníaco.

 

É inquietante também o modo como ela narra seus dias depois de se libertar das garras do Maníaco. Ela sabe que jamais será a mesma. Depois de tudo pelo que passou, o medo é seu único e derradeiro companheiro; as inseguranças, juntamente com o medo, fazem-na passar as noites em claro, dentro do closet. Mesmo livre, Annie não consegue se livrar dos rituais loucos que lhe foram impostos, como ir ao banheiro em horários rigidamente controlados.

 

A autora também aborda com habilidade o transtorno mental denominado síndrome de Estocolmo pelos psiquiatras, quando a vítima, de alguma forma, identifica-se com o seqüestrador, criando laços com ele.

 

“Eu me pergunto quando a coisa aconteceu com o Maníaco. Qual terá sido o momento decisivo… o mento em que alguém pisou com o calcanhar da bota e esmagou a vida dele e a minha. (…) Ele tinha o lado Maníaco, o cara que me seqüestrou, me espancou, me estuprou, me submeteu a brincadeirinhas sádicas, me aterrorizou. Mas, ás vezes, quando estava reflexivo, feliz ou entusiasmado, quando seu rosto se iluminava, eu enxergava o sujeito que ele poderia ter sido. Talvez aquele cara tivesse formado uma família e ensinado a filha a andar de bicicleta, e teria feito para ela bichinhos com balões, você entende? Droga! Talvez tivesse sido um médico e salvado muitas vidas.” [pág. 99]

 

É um livro absurdamente denso e emocionante. As cenas são descritas com cuidado e habilidade, mas sem máscaras. Tudo é descrito, narrado e contado. Cada dor, cada sentimento, cada tensão, a dor e o medo.

 

Além disso, quando já imaginamos que todos os momentos agoniantes já passaram, o texto consegue nos surpreender mais uma vez. A autora consegue, de maneira única, conduzir a investigação policial acerca do seqüestrador e seus motivos, sem, no entanto, denunciar a perspectiva final em nenhum momento.

 

O final é surpreendente.

 

Com amargor, densidade e emoção, Annie O’Sullivan nos conduz página adentro, fazendo-nos grudar os olhos na leitura e acompanhar sua difícil trajetória – e sua luta para encontrar a si mesma e sobreviver depois do horror que sofreu – até a página final.

Post escrito por:

22 anos, interior de São Paulo. É recém-formada em Engenharia Civil e atualmente cursa pós-graduação em Arquitetura de Interiores. Criou o Casinha Arrumada para falar das coisas que mais ama e compartilhar histórias. É apaixonada por decoração, livros, músicas e séries de TV. Siga nas redes sociais: Instagram - Facebook - YouTube - Pinterest

Uma Prova de Amor por Emily Giffin

P.S. Eu te amo por Cecelia Ahern

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15 comentários para “Identidade Roubada por Chevy Stevens”

  1. 17/10/2011 às 14:31

    Confesso que torci o nariz para esse livro, rs.

    Achei muito ‘forte’, acho que estou fugindo de leituras assim no momento.

    Tenho lido resenhas falando super bem dele, espero que, um dia, ele desperte minha curiosidade.

    Beijocas

  2. 17/10/2011 às 15:44

    Adorei esse livro!
    Ele mexeu comigo de uma maneira absurda!
    Tenso, denso, intenso!

    Adorei sua resenha, pelo jeito ele te pegou tbm!

    Devo confessar, nunca tinha visto as outras capas desse livro, mas essa trceira diz bem o que imaginei durante a leitura!

  3. 17/10/2011 às 16:23

    To Louca por esse livro!
    Adoro tramas fortes e tensas. É a minha cara.
    Adorei a resenha
    Bjs

  4. 17/10/2011 às 16:44

    Demais esse livro mesmo, Náh!
    Tudo nele o faz parecer mais real. Também me envolvi bastante com a escrita da autora.

    Bjs!

  5. 17/10/2011 às 19:13

    Pela sua descrição, esse livro me lembrou 3.096 dias, contando a história da Natascha Kampusch, por ela mesma. Ela faz um comentário no livro sobre a síndrome do Estocolmo, pois foi diagnosticada com a doença também. Natascha diz que não se permitia odiar o sequestrador, porque ele era a única pessoa presente na vida dela. Se começasse a odiá-lo, seria consumida por esse sentimento ruim e não teria forças para continuar vivendo (ela tentou suicídio duas vezes). E lembrando que foram OITO ANOS de cativeiro! Então, acho que entendo quando a vítima começa a “gostar” do sesquestrador… Obviamente, não posso falar muita coisa, pois graças à Deus isso nunca aconteceu comigo.

    Enfim, quis dizer que a síndrome de Estocolmo faz sentido pra mim.

    Adorei sua resenha, me deu vontade de ler o livro! Vou marcar como “desejado” lá no skoob, já que o natal está chegando e…

    Beijão!
    http://vire-apagina.blogspot.com

  6. 17/10/2011 às 19:15

    Oi, Náh.

    Que coincidência! Por incrível que pareça, minha irmã está lendo-o e já ficou impressionada com o enredo. Está mexendo tanto com ela, que um dia ela teve a sensação de estar sendo seguida. Coisa de louco, né? [risos].

    Eu falei: “Se está fazendo mal, não leia!”. Mas ela, teimosa como é, está seguindo na leitura. [risos].

    Adoro livros densos, mas no momento quero dar um tempinho, porque já li três livros fortes seguidos um do outro.

    Mas, com certeza, lerei-o, depois de tantos elogios e recomendações da querida Leninha, que adorou!

    Beijos.

  7. 17/10/2011 às 19:33

    Oi, Náh.

    Esse parece ser um livro intenso, hein? Pela

    sua texto percebi que se trata de uma história

    pertubadora e intensa,agora estou muito

    curioso.

    Beijos
    Não deixe de visitar o Blog Apaixonada por Romances

  8. 17/10/2011 às 21:40

    Eu li o livro o achei Maravilhosa a história, apersonagem me cativou bastante também, eu a achei muito forte e corajosa apesar das cicuntancias que ela se encontrava. AMEI o livro, preciso dizer mais…
    Apesar de também ter que parar algumas vezes pra dar uma respirada!

    Parabéns pela resenha ^_^

  9. 17/10/2011 às 22:20

    Oi, Nah!

    O livro é mesmo muito tenso!

    Mas eu adorei a história e como o rumo da história muda do meio para frente.

    BJs

  10. 17/10/2011 às 23:00

    A única coisa que tenho de Identidade Roubada é o marcador, queria muito o livro.
    Acho a capa muito bonita, e parece ter muito sentimento no livro.
    Bjs*-*
    Dá uma passada lá no blog tbm.
    http://territoriodascompradorasdelivro.blogspot.com/

  11. 18/10/2011 às 11:03

    Tenho muita vontade de ler Identidade Roubada, as resenhas que leio em relação ao livro sempre são positivas.
    Pelo que você resenhou parece ser um livro forte e emocionante!
    Beijos

    Elidiane – Leitura entre amigas
    leituraentreamigas.blogspot.com

  12. 22/10/2011 às 02:46

    Já faz um tempão que estou de olho neste livro. Bjs, Rose.

  13. 23/10/2011 às 16:30

    Uau, Náh!!! Que resenha, menina!

    Confesso que já passei por esse livro, mas sequer parei para ler a sinopse dele. Agora estou arrependida. Eu o quero! rsrs… Vou colocar na minha lista de prioridades. Creio que vai passar na frente de alguns…rsrs…

    Eu fujo a maior do tempo de livros assim… intensos demais, dramáticos demais. Prefiro ler uma história de amor, com final feliz e tudo que tenho direito de ler em um romance assim (risos), mas tem vezes que é necessário ler livros mais reais, mais fortes. E eu pretendo ler Identidade Roubada. 🙂

    Mais uma vez você arrasou! Adorei a resenha! Você de novo me fez desejar ler um livro pelo qual eu não me interessaria se não lesse essa resenha…rsrs…

    Bjs!

  14. 30/10/2011 às 14:16

    Olá Náh!

    Tenho certeza de que comentei neste post vários dias antes, mas como tive um problema com minha conta do Google, talvez por isso o comentário não tenha aparecido.

    Bem… Mais uma vez sua resenha me fez desejar muito ler um livro. Esse livro já está na minha lista de prioridades e pretendo adquiri-lo assim que possível. Costumo fugir desse tipo de livros, mas tem vezes que necessitamos ler livros assim, sabe? E eu adorei sua resenha! Ela fez com que eu desejasse conhecer mais a Annie, sua história, ser amiga dela, entende?

    Estou louca para ler esse livro! Da mesma forma que desejo ler O Céu Está em Todo Lugar. 🙂

    Bjs!

  15. 15/11/2011 às 19:00

    Olá Náh!

    Tem selinho para vc no meu blog: http://lunadelua.blogspot.com/2011/11/selinho-como-tudo-comecou.html

    Bjs!