livro memórias de uma gueixa

 

Memórias de uma Gueixa

Arthur Golden

 

Título Original: Memoirs of a Geisha
Autor: Arthur Golden
ISBN: 85-312-0605-7
Editora: Imago
Páginas: 457
Gênero: Romance

Classificação:

★★★★★

 

Memórias de uma Gueixa tornou-se um dos meus livros preferidos. É indiscutível sua beleza e singularidade; Arthur Golden é o tipo de autor que sabe perfeitamente bem usar das palavras, que sabe transformar o leitor em amigo, torná-lo não apenas um mero espectador, mas um torcedor enfurecido. Há paixão e carisma em cada uma de suas palavras. Por favor, deixe-me explicar: eu adoro metáforas, e Golden é um daqueles autores que sabem usá-las com perfeição. Não bastasse a beleza singela da narração, a história de Sayuri não foi apenas bem desenvolvida, mas criou vida a partir do livro – e, acredite, vi esse tipo de coisa acontecer poucas vezes.

 

Mesmo agora, é difícil descrever com exatidão toda a sorte de pensamentos e emoções que me envolveram durante a leitura. Este livro não é apenas “um mergulho na tradicional cultura japonesa” ou um “romance sobre a sexualidade”, mas tal emaranhado de ideias, sensações e pensamentos, que, de maneira sutil, é capaz de nos aproximar, de maneira irreversível e curiosa, da dor, dos sonhos e da esperança que regem a vida de uma jovem gueixa do século XX. Como é dito na contracapa do livro, este livro é “uma descrição minuciosa da alma de uma mulher já apresentada por um homem”

 

Memórias de uma Gueixa, brilhante romance de estreia de Arthur Golden, é um verdadeiro tour de force: as confissões de uma das gueixas mais renomadas do Japão, narradas com autenticidade rara e uma forma ainda mais rica de lirismo. Com uma voz ao mesmo tempo assombradora e absolutamente direta, a já idosa Nitta Sayuri nos conta as histórias de sua vida de gueixa. Conduzidos por essa voz, nós entramos num mundo onde o que conta são as aparências, onde se pode leiloar a virgindade de uma criança, onde as mulheres são treinadas para enfeitiçar os homens mais poderosos, e onde o amor é desprezado como uma ilusão.

Seu relato tem início numa vila pobre de pescadores, em 1929, onde a menina de nove anos é tirada de casa e vendida como escrava. Pouco a pouco, vamos acompanhar sua transformação pelas artes da dança e da música, do vestuário e da maquilagem; e a educação para detalhes como a maneira de servir saquê revelando apenas um ponto do lado interno do pulso – armas e mais armas para as batalhas pela atenção e o dinheiro dos homens. Mas a Segunda Guerra força o fechamento das casas de gueixas e Sayuri vê-se forçada a se reinventar em outros termos, em outras paisagens.”

 

A sinopse do livro já fala muito sobre ele, e, por isso, decidi usá-la. Tentar resumir essa história me seria impossível sem revelar detalhes importantes. Esse é o tipo de livro que se deve ler sem nenhum conhecimento anterior, sem preconceitos. É o tipo de livro que guarda uma lição em cada uma de suas páginas, e sua beleza maior consiste em decifrá-las uma a uma.

 

“(…) e quando me vi no espelho sem a moldura familiar dos cabelos em torno do rosto, vi em minhas faces e ao redor de meus olhos ângulos que nunca vira antes. Pode parecer esquisito, mas quando percebi que a forma do meu rosto era uma surpresa para mim, tive a súbita visão de que nada na vida é simples como imaginamos.” [pág. 282]

 

Gueixas são mulheres versadas na arte da dança, da música e da sedução. São treinadas desde pequenas para entreter os homens – o que não necessariamente tem a ver como uma cama. Na verdade, elas são praticamente uma obra de arte viva, tendo sempre que se manterem impecáveis, lindíssimas. Mas isso não quer dizer que levem uma vida fácil. Com uma voz lírica riquíssima e uma personagem/narradora muito simpática, Memórias de uma Gueixa vai nos apresentar ao Japão tradicional, com seus costumes e modos. Mais que isso: vai nos conduzir para dentro do universo de uma menina que se tornou mulher tendo como único objetivo entreter os homens e conquistar para si um que seja influente e rico o suficiente para poder ampará-la. Não há espaço em sua vida para tolas fantasias românticas; no entanto, Sayuri vive sua vida regrada mantendo consigo sempre a esperança, que é a única coisa que lhe permite continuar vivendo com sobriedade e segurança. No fim, a esperança é o seu único amparo, mesmo em um período difícil como a Segunda Guerra.

 

“A dor é uma coisa muito esquisita; ficamos tão desamparados diante dela. É como uma janela que simplesmente se abre conforme seu próprio capricho. O aposento fica frio, e nada podemos fazer senão tremer. Mas abre-se menos cada vez, e menos ainda. E um dia nos espantamos porque ela se foi.” [pág. 271]

 

Dizer adeus a Nitta Sayuri é praticamente impossível; mesmo após o término de suas memórias, ela permanecerá em sua mente e em seu coração por um longo período, obrigando você a refletir sobre sua própria vida, o significado da palavra “esperança” e a influência do destino em cada um dos caminhos que você é obrigado a seguir. Só posso dizer a você: leia, leia com o coração e a mente aberta, e tenha a certeza de que, no fim, você terá uma surpresa – o tipo de surpresa que acalma o coração e engrandece a alma.

 

“_ Você tem dezoito anos, Sayuri _ prosseguiu ela. _ Nem você nem eu sabemos qual é o seu destino. E talvez você nunca saiba! O destino não é sempre como uma festa no fim da tarde. Ás vezes é apenas lutar na vida, dia após dia.” [pág. 311]

Post escrito por:

22 anos, interior de São Paulo. É recém-formada em Engenharia Civil e atualmente cursa pós-graduação em Arquitetura de Interiores. Criou o Casinha Arrumada para falar das coisas que mais ama e compartilhar histórias. É apaixonada por decoração, livros, músicas e séries de TV. Siga nas redes sociais: Instagram - Facebook - YouTube - Pinterest

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9 comentários para “Memórias de uma Gueixa por Arthur Golden”

  1. 15/01/2012 às 16:21

    “Dizer adeus a Nitta Sayuri é praticamente impossível; mesmo após o término de suas memórias, ela permanecerá em sua mente e em seu coração por um longo período, obrigando você a refletir sobre sua própria vida, o significado da palavra “esperança” e a influência do destino em cada um dos caminhos que você é obrigado a seguir.”
    Você descreveu tudo o que senti quando terminei de ler a história de Saiury….
    QUando eu vi o filme, fiquei simplesmente fascinada pela história, ao descobrir que existia o livro, precisava lê-lo…. e nossa quando li, ele realmente se transformou em um dos meus preferidos, é impossível não se apaixonar e sofrer pela história de Sayuri…..
    Tua resenha ficou demais o

  2. 15/01/2012 às 17:57

    Concordo com a Kézia, sua resenha está fabulosa.
    Esse livro é fascinante. Todo leitor deveria lê-lo um dia.
    Bjos, Carol.
    http://cantinhocarolina.blogspot.com/

  3. 15/01/2012 às 22:27

    Olá Náh!

    Eu vi o filme, e fiquei encantado com a história das Gueixa, mais ainda não tive interesse em ler o livro.

    Beijos e até o proximo post!
    http://www.apaixonadaporromances.com.br/

  4. 16/01/2012 às 16:04

    Oii, eu ainda não li o livro e confesso que o livro não me chamava nem um pouco a atenção. Agora depois da sua resenha me deu vontade de lê-lo mas quero ver o filme primeiro. 🙂

    Beeijos.

    Jessica – Romances e Livros

  5. 18/01/2012 às 13:38

    Nossa que bom saber que ele é tão bom =) ele está em promoção no submarino, vou correndo comprar =)
    bjos linda e sucesso!!!
    Parabéns pela ótima resenha!!!
    Me visita!!!

  6. 19/01/2012 às 11:56

    Já ouviii falar muito desse livrooo! Agora com toda sua empolgação quanto à história, querooo lê-lo urgente!!

  7. 19/01/2012 às 18:19

    Quero muito ler esse livro.Sua resenha está perfeita!
    Bjs!
    Zilda Mara
    Cachola Literária

  8. 20/01/2012 às 14:30

    Tenho tanta tanta tanta tantaaaa vontade de ler esse livro! Gosto muito do filme, tanto pela história emocionante como pela fotografia (impecável). Aliás, gosto tanto do filme que o livro correria aí um sério risco de não atender às expectativas… Mas ainda assim, quero muito lê-lo!

    bj
    escrevendoloucamente.blogspot.com